Programa Conheça a Ti Mesmo

O Programa Conheça a Ti Mesmo é inspirado nos estudos filosóficos clássicos sobre virtudes e na compreensão de que para aprender é importante a experiência corporal, não bastando aprender somente pelo discurso – é preciso vivenciar os conceitos. Esta fundamentação é baseada na tese de doutorado de Tatiana Passos Zylberberg, defendida na Faculdade de Educação Física da Unicamp em 2007.

Historicamente, o saber corporal foi preterido em função do conhecimento simbólico e racional. A divisão corpo-mente atravessou séculos, influenciou culturas e manteve como referência a dualidade entre emoção e razão, fortalecendo, assim, a ideia cartesiana do corpo objeto separado do sujeito pensante. Em decorrência desta compreensão, o modelo tradicional de ensino privilegiou mais a imobilidade corporal e estigmatizou a aprendizagem como algo que acontece dentro da cabeça e se expressa na escrita ou na oralidade. Segundo Zylberberg o corpo foi deixado de fora da ação pedagógica: para aprender, as crianças deveriam ficar imóveis. A partir do começo do século XX, a filosofia e outras áreas passaram progressivamente a questionar o modelo cartesiano e a concepção newtoniana de mundo. O corpo não podia mais ser compreendido como objeto a ser disciplinado e adestrado.

 

O Programa Conheça a Ti Mesmo reforça a premissa de que aprendemos com o corpo inteiro. Aprendemos a ver com os diversos tipos de informações, com o corpo e por intermédio dos sentidos, consolidando a nossa compreensão da realidade. Para promover uma formação de virtudes, além do discurso, devemos superar o modelo de ensino-aprendizagem pautado tão somente no conhecimento factual. Assim, indo além de aprender conceitos, as pessoas devem incorporar atitudes e, para tanto, os processos de ensino-aprendizagem devem possibilitar a reflexão pela experiência compartilhada. Experiência esta que envolve aprender com todos os sentidos – uma educação para os valores é uma educação que emancipa.

Estamos no século XXI. Vamos rever as nossas resistências. Precisamos adotar uma atitude voltada às soluções, afinal, somos responsáveis por nosso futuro e pelo futuro do mundo. Vamos semear uma educação para de corpo inteiro, para que as pessoas possam aprender a se ver, a ver o outro e o mundo com todos os sentidos (Zylberberg, 2011 – relatório do projeto De Olhos no Mundo).

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